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O dilema dos governos com os veículos elétricos



Mesmo os países que tenham as mais elevadas capacidades de subsidiar veículos elétricos passam por um dilema bastante relevante.



E esse dilema está afetando o mercado de veículos elétricos nesse exato momento!



Entre a cruz…



Pense em algum país com renda per capita sensivelmente superior a que temos por aqui. Alemanha, França, Estados Unidos.

Pronto, vamos seguir...



Se o problema do carro elétrico é que ele precisa receber subsídio para que a demanda comece a ganhar tração de vendas - e, teoricamente, depois eles se venderiam sozinhos -, talvez o único limitador seja o dinheiro disponível para isso, certo? Errado. 



São diversas as condições que fazem com que países pensem se vale ou não a pena.



Como basicamente tudo na vida é uma relação entre custos e benefícios, a decisão racional deveria envolver uma comparação direta entre esses dois lados.

Primeiramente, os benefícios: redução de poluição sonora e de gases do efeito estufa em cidades, além da redução de importações líquidas de petróleo e derivados (ou mesmo, em caso de autossuficiência, menor demanda de produção de itens desse setor).



… e a espada!



Já na outra ponta, dos custos, está uma imensidão de itens a serem considerados. Importante frisar, aqui vamos falar de países que têm capacidade real em termos fiscais de realizar esse financiamento e o colocam de maneira relevante em funcionamento - porque a questão para os que pensam em algum momento em iniciar essa jornada é consideravelmente mais complicada.



Todos esses custos podem ser resumidos a dois grandes grupos: o efeito fiscal de curto, médio e longo prazos e a guerra comercial global. O primeiro tem a ver com como os países lidam hoje e lidarão amanhã com esses programas e o segundo se relaciona com uma situação em desdobramento nesse momento que deve se arrastar por décadas.



Sobre o custo fiscal, para além do direto incentivo ser não desprezível a cada veículo vendido (alguns milhares de dólares ou euros a cada novo emplacamento), temos também uma questão pouco falada mas muito relevante: esses veículos podem ser subsidiados, mas o desgaste que eles geram nas vias será financiado de que maneira? 



Aqui no Brasil esses veículos costumam pagar menos IPVA e nos EUA existem impostos para conservação de vias embutidos no preço da gasolina e do diesel. De onde sairá o dinheiro para conservação das vias por onde esses carros passarem?



Ainda sobre custo fiscal, um ponto importante e com conexão direta ao momento atual do endividamento público pelo mundo todo: nem quem tem bastante condição para colocar subsídios na praça está realmente conseguindo efetivar tal política



O caso mais emblemático de 2024 nesse tópico é o da Alemanha: por problemas relacionados ao lado fiscal, ainda no final do ano passado o país já avisou que os benefícios seriam reduzidos e, como efeito esperado, deve acontecer uma queda de 14% na venda desses veículos no atual ano, conforme apurou a Bloomberg:

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Caso você viva no Brasil, talvez tenha pensado: “pô, mas a China não ganhou escala pra produzir esses carros com custo menor? Se eles estão chegando mais baratos aqui e forçando a concorrência a otimizar seus preços, então é só esperar que eles cheguem também nesses países para baixar o custo de subsídio com esses programas!”. 



Tudo isso seria realidade se não houvesse um detalhe bastante relevante: vivemos nesse momento uma alta de barreiras protecionistas que reduz essa expansão.



Em termos bem diretos, a Europa não quer apenas que ocorra uma transição para veículos elétricos, mas é preciso que eles sejam… Made in Europe. Sanções recentemente impostas - e contra as quais a China já está lutando contra na combalida Organização Mundial do Comércio - geraram, até então, uma queda de exportações de veículos para a Europa em 20%:

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O presente é ruim, o futuro parece ainda pior



Como se não tivéssemos contado notícias ruins o suficiente, existe mais uma, que torna tudo ainda muito improvável no futuro: mesmo os países com capacidade de subsidiar os elétricos e que consigam efetivamente produzir em locais não sancionados se deparam com um mercado que, paradoxalmente, tem se expandido como proporção da frota total e vê as revendas de veículos travam.



A respeito dessa expansão, existe um teoria de que o ponto de inflexão entre adoção inicial e massificação de veículos elétricos seja quando se verifica 5% da frota total do país sendo composta de veículos desse tipo. Ou, em bom português: segundo essa teoria, superar 5% de veículos elétricos significa que a adoção avançará muito mais rapidamente. De acordo com levantamento do final de março de 2024realizado pela Bloomberg, essa situação já ocorre em 31 países - e, surpreendentemente, os EUA não são um deles:

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Já pelo lado da revenda desses veículos, embora o assunto aqui não seja o da edição anterior da RefleCenários (que foi sobre os itens que você precisa saber antes de comprar um carro elétrico), é importante saber desse dado: na média, as pessoas evitam pegar um elétrico que já tenha tido primeiro dono e, na prática, isso acaba complicando a situação da venda dos veículos novos. 



A disparidade de preços entre veículos a combustão e elétricos aumenta a cada ano em que eles ficam disponíveis no mercado:

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Assim sendo, casando as limitações do curto prazo (fiscais e de comércio global) com essa complicação das revendas, fica a pergunta no ar: vale a pena que governos subsidiem algo que é caro hoje, vai se tornar mais caro amanhã e talvez sequer seja adotado como se esperava?



Caso a teoria dos 5% seja real, essa dor de cabeça vai virar enxaqueca para uma quantidade considerável de países nas próximas décadas.

Até a próxima semana!

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