| Só compre um veículo elétrico se você tiver essas condições Engana-se facilmente quem imagina que a única condição que separa você de ter um veículo elétrico é o valor pago na concessionária. E, buscando evitar a compra de gato por lebre, vamos te ajudar nessa decisão com uma breve lista de itens a serem observados.
Não, essa não é uma peça de propaganda contra veículos elétricos - na verdade eles são bem mais eficientes que os a combustão. O que faremos aqui é apenas um check de realidade sobre o que você precisa ficar de olho para não entrar no clube dos arrependidos. Eficiência energética e o dilema da ponte de diamantes Antes mesmo da gente começar, um pequeno detalhe pessoal. Caio, que é quem escreve essa edição que você lê agora, além de head de conteúdos, host do TerraçoCast e um amante dos assuntos que envolvam economia, é também um entusiasta de veículos elétricos e, com a chegada de opções realmente competitivas, está aguardando pelo menos o pessoal da early majority comprar, usar e contar mais sobre. Por early majority, falamos aqui daquela teoria sobre quem são as pessoas que adotam novas tecnologias - o que pode ser sumarizado com essa bela imagem que encontramos no blog da Rock Content:
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Enfim, sobre a questão da eficiência energética: veículos elétricos transformam o acumulado das baterias em movimento das rodas de maneira muito mais direta em relação ao que fazem os motores a diesel, gasolina e etanol. Sabe aquela história de “você acabou de pisar no acelerador e o carro vai, não tem delay” que contam sobre carro elétrico? Então, é mais ou menos isso que demonstra em termos práticos essa eficiência. Isso é interessante, mas demanda ao menos dois cuidados: naturalmente, quem dirige carros a combustão há tempo razoável e migra para um elétrico precisará se atentar, ao menos no início, com essa rapidez. Pode parecer sutil, mas quem já deu alguma batida no trânsito da cidade sabe muito bem a diferença que “um mero segundinho” faz. Outro fator que vale a pena ficar de olho: dado que o carro elétrico responde mais rápido, isso significa que a tração, ao longo do tempo, faz com que o pneu se desgaste mais rapidamente. Talvez você já tenha ouvido falar que “os pneus de veículos elétricos não são iguais aos dos outros” e essa é basicamente a razão. Com chances muito elevadas a troca de pneus de um carro como esse será com menor espaçamento de tempo do que ocorre com um veículo a combustão. Aliás, se você talvez vai se chatear com o fato de que a troca de pneus deverá ser mais frequente em um elétrico, existe um grupo que a CNBC levantou recentemente que na verdade está adorando essa mudança: as companhias de pneus!
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“Ah, e a ponte de diamantes?”. Diamante é o material com maior nível de dureza que existe na natureza. Pode parecer bobo, mas, em teoria, uma ponte de diamantes seria a ponte mais eficiente do mundo. Mas qual o problema dessa insana suposição? Claro, ninguém quer gastar tanto em algo que só vai servir para se deslocarem de um lado pro outro. Se você pensa em comprar um veículo elétrico única e exclusivamente pela eficiência energética - e não checa outros fatores advindos disso -, talvez estará comprando uma ponte de diamantes. Cheque a infraestrutura ANTES de comprar Provavelmente o item mais propagandeado de qualquer empresa de veículos elétricos é a clássica “deixe de depender de mudanças de preço da gasolina, agora você carrega o carro com a mesma facilidade de acender uma lâmpada”. Bem, a realidade é mais complicada do que isso por pelo menos dois motivos. O primeiro motivo: o local onde você mora talvez não seja tão amistoso assim a instalação de um carregador. Fica mais fácil se você morar em uma casa, mas, já pensou em como fica com condomínio? Valerá a pena colocar um relógio que verifica o consumo apenas para isso? E a eventual dor de cabeça de vizinhos em reunião de condomínio sugerindo que você usa energia dos outros de graça? Já o segundo é ainda mais relevante: ainda que você tenha infraestrutura adequada onde vive e o carro passe as noites no carregador, por onde você passa para ir trabalhar ou em quaisquer deslocamentos rotineiros existe carregador? E ele é compatível com o seu veículo? E, desculpe a eventual pulga atrás da orelha: ele funciona? Questões técnicas que envolvem carregamento de veículos elétricos não são só problemáticas se você morar no Brasil: na Califórnia, o estado americano com possivelmente a melhor estrutura para isso no planeta, essas limitações também irritam as pessoas. Com problemas que vão de encontrar um carregador compatível (e funcionando), passam pelo pagamento muitas vezes disfuncional e, com os dois itens anteriores dando certo, ainda levando em conta o tempo parado para recarregar, a situação no local mais preparado do mundo. Quem verificou isso in loco foi a jornalista Joanna Stern, do Wall Street Journal, que circulou pelo condado de Los Angeles com essa missão: |
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Veículo elétrico é para uso URBANO! Se tem uma pessoa nesse país que sabe muito sobre carros elétricos e como podem (ou não) serem adotados mais amplamente no Brasil, essa pessoa se chama Sérgio Habib.
Esse cara traz marcas gringas de carros para o Brasil desde os anos 1990 e, desde o início dos anos 2010, analisa e traz agora veículos elétricos. Ele participou, alguns meses atrás, de dois episódios do podcast Você na Roda e tratou de diversos pontos bastante relevantes a respeito do mercado desses veículos, dentre outros tantos assuntos correlatos: |
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Especificamente quando fala sobre as limitações dos carros elétricos, ele ressalta: o maior problema de um veículo desse tipo é você precisar usar de modo pelo qual ele não foi feito. Nesse trecho de uma das participações, ele fala com detalhes dessas limitações: |
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Aqui ele também comenta sobre alguns problemas que ficam para outra edição da RefleCenários, que envolvem a estrutura que os governos precisam conceder para ampliar a frota de veículos elétricos em seus países, mas quando o ponto é a decisão de comprar ou não um veículo desse tipo, ele é categórico: só compre um se você for usar na cidade, porque a infraestrutura ausente, deficiente ou demorada - até mesmo nos locais teoricamente mais preparados do mundo - pode te deixar na mão. Não é muito difícil - faça essa busca! - encontrar vídeos de “arrependidos dos elétricos” que contam situações como “na estrada rende menos”, “não consegui viajar” e “mais me atrasou do que me ajudou”. Certamente são pessoas que não tiveram a sorte de ler essas dicas e, imaginando que teriam adquirido o “sonho de não depender de preço de combustível, carregar o carro como se acendesse uma luz, liberdade e campos floridos”, agora dizem que “carro elétrico não serve pra nada”. Então, vale ou não comprar um veículo elétrico? Caso agora te contássemos uma resposta fechada você estranharia - e, com razão, a ideia aqui é sempre trazer reflexões e cenários, é literalmente o nome. No lugar de “sim” ou “não”, te devolvemos algumas perguntas: consciente de que você terá maior desgaste de pneus, precisa verificar a estrutura adequada ao carregamento (onde você mora e por onde você circula) e que o uso adequado é urbano, para você, vale ou não realizar essa compra? Apenas para não ficar em algo muito aberto e teórico, sejamos sinceros: sendo taxista/Uber, provavelmente compensará adquirir um veículo desses; agora, se você precisa se deslocar entre cidades e por locais bem menos fervorosos do que a capital do seu estado (e olha que, se bobear, nem a capital do seu estado tem uma infraestrutura tão boa assim para isso), vale a pena repensar a escolha nesse momento. Pela primeira vez (e, se vocês gostarem, repetiremos outras vezes) vamos adiantar o assunto da próxima, porque será continuidade dessa: qual o dilema dos governos em relação aos veículos elétricos? Até a semana que vem! |
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